As doenças mentais e, particularmente a depressão, são o factor de maior risco de suicídio. Portugal tem uma das mais elevadas prevalências de doenças mentais da Europa.

A saúde mental em Portugal.

Um estudo concluiu que Portugal tem uma das mais elevadas prevalências de doenças mentais da Europa. A par desta constatação, surge uma outra que demonstra que há um défice de cuidados acentuado e que perto de 65% das pessoas com perturbações mentais moderadas e 33,6% com perturbações graves não recebem cuidados de saúde mental adequados, independentemente do serviço ser do serviço nacional de saúde ou privado.

O número de camas nos hospitais psiquiátricos tem vindo a diminuir, mas o número de doentes mentais não. Quem acompanha e trata destes doentes são as suas famílias ou profissionais em infraestruturas que não estão vocacionadas para o seu tratamento

Continuamos a olhar para estes doentes com muita desconfiança, fruto do nosso desconhecimento profundo destas patologias, e também porque no nosso dia-a-dia não temos contacto com esta doença, que desde sempre se quis muito reservada e distante dos olhares mais curiosos. Mas isto não significa que não seja uma realidade dura para muitas famílias, para além do próprio doente.

O estigma que recai sobre o doente mental começa logo na própria designação que lhe é atribuída e que reflecte todos e quaisquer cuidados para não ferir susceptibilidades, mas, ao mesmo tempo, abre a porta para uma diferenciação negativa. Veja-se esta evolução: de deficiente mental alterou-se para doente mental e, mais recentemente, surgiu uma última denominação que substitui as anteriores: pessoa com dificuldade intelectual e de desenvolvimento.

Este cuidado extremo, que até se compreende, face a comportamentos menos correctos perante quem sofre de doenças mentais, aumenta o desconforto de quem não sabe lidar com situações que envolvam estes doentes que, na verdade, não passam de pessoas como nós, que em determinado momento da sua vida viram uma parte do seu cérebro deixar de funcionar normalmente, levando a vários tipos de manifestações corporais, umas mais exuberantes, outras mais prostradas.

Segundo o Relatório do Programa Nacional para a Saúde Mental 2017, o suicídio verifica-se sobretudo em pessoas com doenças mentais graves, na sua maioria tratáveis, e integra o grupo de mortes potencialmente evitáveis.

Quanto ao consumo de psicofármacos em Portugal, o Director-Geral da Saúde notou que houve uma descida nos ansiolíticos (para a ansiedade), uma estabilização dos fármacos para as psicoses e um aumento do consumo de antidepressivos.

O aumento dos antidepressivos poderá passar por uma melhoria da capacidade de diagnóstico e terapêutica e por uma maior sensibilidade dos clínicos, em geral, em relação a este problema.

Uma doença como outra qualquer, mas de uma complexidade tal que a própria ciência não oferece ainda respostas para as muitas interrogações dos profissionais que investigam e acompanham diariamente estes doentes.

 

Números no Mundo

  • 12% das doenças em todo o mundo são do foro mental, valor que sobe para os 23% nos países desenvolvidos.
  • As perturbações por depressão são a terceira causa de carga global de doença (primeira nos países desenvolvidos), estando previsto que passem a ser a primeira causa a nível mundial em 2030, com agravamento provável das taxas de suicídio e para suicídio.
  • Cinco das dez principais causas de incapacidade e de dependência psicossocial são doenças neuropsiquiátricas: depressão (11,8%), problemas ligados ao álcool (3,3%), esquizofrenia (2,8%), perturbação bipolar (2,4%) e demência (1,6%).
  • 165 milhões de pessoas na Europa são afectadas por uma doença ou perturbação mental anualmente.
  • Apenas um quarto dos doentes com perturbações mentais recebe tratamento e só 10% têm tratamento considerado adequado.
  • As doenças e as perturbações mentais tornaram-se, nos últimos anos, na principal causa de incapacidade e numa das principais causas de morbilidade nas sociedades.

Números em Portugal

  • Mais de um quinto dos portugueses sofre de uma perturbação psiquiátrica (22,9%).
  • Portugal é o segundo país com a mais elevada prevalência de doenças psiquiátricas da Europa, sendo apenas ultrapassado pela Irlanda do Norte (23,1%).
  • Entre as perturbações psiquiátricas, as perturbações de ansiedade são as que apresentam uma prevalência mais elevada (16,5%), seguidas pelas perturbações do humor, com uma prevalência de 7,9%.
  • As perturbações de controlo dos impulsos e as perturbações pelo abuso de substâncias registam taxas de prevalências inferiores, respectivamente, com 3,5% e 1,6% de prevalência. 
  • Cerca de 4% da população adulta apresenta uma perturbação mental grave, 11,6% uma perturbação de gravidade moderada e 7,3% uma perturbação de gravidade ligeira. 
  • As perturbações mentais e do comportamento representam 11,8% da carga global das doenças em Portugal, mais do que as doenças oncológicas (10,4%) e apenas ultrapassadas pelas doenças cérebro-cardiovasculares (13,7%).

 

Com o aumento da esperança de vida e com todas as vulnerabilidades associadas a esta longevidade, um dia, todos nós poderemos sofrer de uma qualquer demência. Hoje já se contabilizam entre 160 mil e 180 mil casos, prevendo-se que, até 2050, este número aumente significativamente. Não cuidar dos que hoje já sofrem de doenças mentais é não providenciar o futuro, negligenciando os presentes.

É fundamental criar respostas que reabilitem competências, que estimulem as competências reminiscentes e que promovam a integração social e profissional destes doentes, a última ajustada às suas capacidades e dificuldades.

 

Fontes de pesquisa: http://www.saudementalpt.pt / https://ionline.sapo.pt